16.3.14

Professora Maria Estephânia Mello de Carvalho (1885-1958). Acervo MEMOR-SG


"São Gonçalo, cidade mui singela, Erguida nos encantos de aquarela (...) Estephânia, ó que grande monumento (...)Teu passado, cidade, foi honroso,Teu futuro será maravilhoso” (Trechos do Hino de São Gonçalo)

Alex Wölbert*

O mês de março é o mês em que comemoramos, no dia 8 de março, o dia Internacional da mulher. Pode ser apenas um dia( o oito), mas a mulher é tão especial que dedicamos todos os  30 dias do mês para elas que são, dedicadas, amorosas, carinhosas, companheiras,  sensíveis e de sexo frágil.

 Trabalhadoras da fábrica têxtil Cotton em Nova York. Fonte: MNCR.ORG


Frágil?  Frágil é um adjetivo que não combina com a mulher. Para começar o próprio dia 8 de março tornou-se comemorativo em homenagem as trabalhadoras da fábrica têxtil Cotton em Nova York no ano de 1857 que entraram em greve contra a jornada de 16 horas de trabalho e o salário de fome. Ocuparam a fábrica e sem a menor piedade o patrão prendeu-as, fechou todas as portas de saídas e incendiou a fábrica. Então as 129 mulheres de sexo nada frágil morreram queimadas nessa luta e fizeram desse dia o dia de todas as mulheres.

Na nossa cidade não faltam exemplos de mulheres guerreiras e sem dúvida nenhuma delas é Maria Estephânia Mello de Carvalho,  um exemplo de mulher forte e determinada que lutou incansavelmente pela educação gonçalense.   

A mulher que nasceu em 7 de junho de 1885 em Cantagalo, mas para nossa sorte adotou a cidade de São Gonçalo e aqui deu o seu suor para educação. E, consequentemente para o crescimento da cidade, pois a educação é a base para o desenvolvimento.

Uma aluna brilhante no Colégio Sion, em Petrópolis, cursou Ciências, Letras, Línguas e Música.  Também cursou o Pedro II e fez vestibular de medicina.

Aos 35 anos de idade, ao casar-se com Sr. Zeno Bellido de Carvalho, abandonou o magistério e passou a morar em Niterói, mas um fato triste lhe fez voltar a se dedicar ao ensino. A morte da sua única filha aos dois anos de idade. E da tristeza nasceu a perseverança e fundou em sua própria residência um curso primário. Mais tarde é diretora do Curso Feminino do Colégio Brasil de Niterói e logo depois funda o Colégio Carvalho.

Formandos do Colégio São Gonçalo. Na primeira fila, ao centro, a professora Estephânia de Carvalho. Década de 1950. Autor desconhecido. Acervo MEMOR-SG. 

Foi aos 56 anos que Estephânia de Carvalho chegou a São Gonçalo. Em 1941 foi convidada pelo então prefeito Nelson Corrêa Monteiro para participar de uma concorrência pública para montagem de um colégio secundário no local de um casarão da Rua Coronel Moreira Cezar que a prefeitura acabara de adquirir para essa finalidade.

Passa seu Colégio Carvalho em Niterói para Dr. Plínio Leite e inaugura em 10 de novembro de 1941 o Colégio São Gonçalo contrariando muitos que não acreditavam possível um curso secundário em São Gonçalo. Não só provou que era possível como fez melhor inaugurando a primeira Escola Normal de São Gonçalo e um Curso Técnico de Contabilidade.  Participou ativamente na cidade como a Campanha de Manutenção e Auxílio às Famílias dos Combatentes da Segunda Guerra Mundial e foi uma das principais responsáveis pela campanha pró-busto do Dr. Luiz Palmier.


Morro do Cruzeiro, Cruzeiro da Coruja ou Morro da Matriz. Imagem: Projeto Remoma



           Foi responsável também por um dos maiores marcos históricos da cidade, o Cruzeiro da Coruja que foi inspirada e construída por essa grande mulher com a ajuda de seus alunos. Dela também partiu a iniciativa de iniciar as comemorações do Dia do Município com o desfile cívico que anos depois foi incorporado pelas autoridades municipais e se tornou tradicional na cidade.



Mas foi a generosidade que tornou Estephânia de Carvalho uma mulher admirável. Tinha um coração imenso e não deixava ninguém de fora. Muitas mães devem a ela a felicidade de uma bolsa de estudo e um curso concluído. Era uma verdadeira mãezona e nenhum aluno deixava de estudar, mesmo os mais pobres. Ficou conhecida como “ A mãe do Estudante Pobre Gonçalense”.

Quis o destino que fosse no dia 2 de 1958 do mês de março, justamente no mês de comemoração Internacional da mulher, que este exemplo de mulher nos deixou. Descansou depois de tudo que fez pela educação de São Gonçalo. Tanto que seu reconhecimento renderam muitas homenagens  como o Colégio Municipal Estephânia de Carvalho no bairro do Laranjal que atende uma média de 3.500 alunos cursando primeiro e segundo graus. Uma das principais homenagens foi dar o nome a principal praça do Município. Antes chamada de “Praça Cinco de Julho” e também chamada popularmente de “Praça do Zé Garoto” tem o nome de “Praça Estephânia de Carvalho” onde o povo em respeito a sua memória ergueu um monumento com seu busto.

Busto da Prof. Estephânia de Carvalho que empresta seu nome a praça.

Finalizo parabenizando todas as mulheres que assim como a professora Estephania de Carvalho são fortes como uma leoa e delicadas como uma rosa.

PARABÉNS MULHER GONÇALENSE! EXEMPLO DE GARRA, FÉ E AMOR!  




      Sobre o Autor:


Alex Wölbert Alex Wölbert é colaborador do Blog Tafulhar. Considerado um dos maiores cronistas do Leste Fluminense, sobretudo, acerca da cidade de São Gonçalo-RJ. Faz parte do Projeto Recicla Leitores. Facebook: Alex Wölbert

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