17.5.13

Praça Estephânia de Carvalho (Popular Zé Garoto). 16/09/1975. Pedro. Jornal O Fluminense.
Praça Estephânia de Carvalho (Popular Zé Garoto)*. 16/09/1975. Pedro. Jornal O Fluminense. In: ibid.


Luciano Campos Tardock*

            A praça é do Zé Garoto? Bem, oficialmente ela é Praça Estephania de Carvalho, em homenagem a uma das mais proeminentes e influentes educadoras do município de São Gonçalo, todavia, antes mesmo disso, ela era simplesmente a praça 5 de Julho. Mas por que essa insistência em chamar a praça principal de São Gonçalo em Zé Garoto?


            Primeiro devemos saber quem era o tal do Zé Garoto. E o apelido está ligado a pessoa em particular, o imigrante português José Alves de Azevedo, que aos oito anos de idade chegou à São Gonçalo. Muito popular entre a população local, o português era carinhosamente chamado de “Zé Garoto” (Zé por causa de seu nome, José, e Garoto por que era comum chamar meninos desta forma).

Fonte: Jornal O São Gonçalo, 1941


Foto do centro de São Gonçalo antes de construir a Praça Zé Garoto
Foto Panorâmica do centro de São Gonçalo: 1- Colégio Nilo Peçanha; 2- Comércio do Zé Garoto; 3- Farmácia Tamoio; 4- Onde fica a  Praça; 5- Ponte Sobre o Rio Imboassú; 6- Transporte de Bonde. Fonte: Sérgio Toledo.

Fotografia da praça 5 de julho. Década de 40 Fonte: MEMOR-SG


Já adulto, Zé Garoto trabalhava como comerciante. Possuía um armazém onde hoje é o prédio do Antigo Fórum da cidade; suas terras englobavam a área em que hoje encontramos a Escola Estadual Nilo Peçanha (pertencia a família Nanci) e a principal praça da cidade, a Praça Professora Estephania de Carvalho. Entre o armazém e o espaço onde hoje ficam a escola e a praça havia o Largo (do Zé Garoto), ponto obrigatório do bonde com destino à Alcântara.

Bonde passando pelo Zé garoto sentido Alcântara. Imagem: Lars Richter
            Foi um importante cenário durante as décadas de 40 e 50 do movimento operário gonçalense, sendo palco importante de intensas manifestações da organização local. Espaço público e livre, a praça se tornou o reduto dos manifestantes (ligados aos estaleiros locais, metalúrgicos da Hime, ao fabrico do fósforo, da fábrica de cimento Mauá e ao setor de pescado) que reivindicavam melhorias imediatas (salário mínimo, repouso semanal, indenização para vítimas e eleições nos sindicatos), a praça do Zé Garoto ou Estephania de Carvalho, sempre teve mais significado do que o de uma simples e comum praça.  Por mais que o tempo passe, a figura do Zé Garoto sempre continua presente naquele pedaço de São Gonçalo onde o bonde fazia a curva no sentido rumo ao Alcântara. 


            Uma hipótese bem aceita sobre o porquê de a praça ser conhecida popularmente como Praça Zé Garoto seria pela importância afetiva do bairro. Vou explicar melhor. Como a praça fica situada no Bairro do Zé Garoto e o local sempre ter sido um espaço afetivo e um ponto de encontro dos gonçalenses, coube ao consenso popular à tarefa de resignificar o espaço e dar um sentido próprio. Seja a Praça 5 de julho ou Praça Estephania de Carvalho, o nome do bairro é mais marcante. Como acontece com a Praça Carlos Gianelli e que todos os gonçalenses a conhecem como Praça do Alcântara. Com a Praça Zé garoto não foi diferente. A praça (Estephânia de Carvalho) do bairro Zé Garoto, passou no decorrer dos anos a ser verbalizada como Praça do Zé garoto até finalmente ser identificada como Praça Zé Garoto.


Praça  Zé Garoto oficialmente Estephânia de Carvalho.
Pintura à óleo da Praça Estephânia de Carvalho. Pintor Leonardo Santiago.
Pintura à óleo da Praça Estephânia de Carvalho. Pintor: Leonardo Santiago. 2013


Sobre o Autor:
Luciano Campos Tardock Luciano Campos Tardock é colaborador do Blog Tafulhar e coordenador do Memória de São Gonçalo. Formado em História pela Universidade Salgado de Oliveira, Especialista em História Moderna pela UFF e Mestre em História do Brasil também pela Universidade Salgado de Oliveira.

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