10.4.12

Ilustração: Matt Davidson

Resumo:
O presente artigo apresenta a estatística da segurança pública em São Gonçalo (RJ), nos anos de 2006 a 2011, com base no relatório mensal disponibilizado pelo Instituto de Segurança Púbico  (ISP), órgão ligado à Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (SSP-RJ), que produz, entre outras coisas, relatórios estatísticos sobre o sistema de segurança pública estadual com o objetivo de analisar os problemas que mais afetam a população e assim avaliar o desempenho das ações de segurança no Estado.




Figura 1 - Mapa em flash contendo as delegacias de polícia e o batalhão em São Gonçalo

Fonte: ISP-RJ/ Ilustração do autor


O tema violência e criminalidade acompanha o homem desde a sua origem. Entretanto, nos dias de hoje, percebe-se que vem ocupando um espaço cada vez maior no debate político, na mídia, no meio acadêmico e nas conversas domésticas. Sendo assim, a proposta do artigo é apresentar a estatística criminal do município de São Gonçalo (RJ) para que o leitor formule suas próprias opiniões.
__________________________________________________________


O Instituto de Segurança Pública (ISP) registrou, de janeiro de 2006 a dezembro de 2011, um aumento contínuo das vítimas de crimes violentos em São Gonçalo (10%). 

Comparando 2010 com 2011.

Os crimes que mais contribuíram para o crescimento foram: Lesão Corporal Dolosa (quando desejar ferir a vítima) 10,2%, Tentativa de homicídio (quando se tenta matar a vítima) 13,5%. Contudo, o dado que mais destoa dos outros é o homicídio doloso (quando há intenção de matar), que vem caindo paulatinamente e registra uma queda de 29% em relação ao ano de 2010 e queda de 37,5%, nos últimos seis anos.

Fonte: ISP-RJ, 2006-2011












No que tange aos crimes de trânsito, podemos observar que houve um aumento no número de vítimas nos últimos anos, conduzido principalmente pela lesão corporal culposa (quando não se tem intenção de machucar). Por outro lado, mostra uma tendência de queda no número de homicídios culposos (quando não há a intenção de matar) em acidentes de trânsito em São Gonçalo. 

Fonte: ISP-RJ, 2006-2011









Fica o registro dos crimes que ainda não possuem uma definição do crime definidos como: encontro de cadáver e o encontro de ossada (surgimento de um cadáver ou uma ossada onde, pelas características apresentadas, não se pode indicar a existência de infração penal ou administrativa).

O título estabelecido nesse segmento merece redobrada atenção. Objeto de contestação, pelos sociólogos e estatísticos, acusados de camuflar o número correto de crimes contra a vida.

Segundo, Ana Paula Mendes de Miranda (ex-diretora do ISP), "alguns casos que são claramente homicídios, como os corpos carbonizados encontrados, estão sendo registrados como encontro de cadáveres e ossadas".

Fonte: ISP-RJ, 2006-2011














Quanto aos crimes contra o patrimônio (motivação do crime é a subtração imediata do patrimônio da vítima) houve uma queda de 15,5% de 2010 para 2011. Os crimes contra o patrimônio que mais cresceram foram: Roubo de carga 96%, extorsão 50%. 

Outros registraram queda: Roubo a estabelecimento comercial (-11,2%), Roubo a residência (-21,3%), Roubo de veículo (-3,8%), Roubo a transeunte (-25,9%), Roubo em coletivo (-41,4%), Roubo de aparelho celular (-11,4%). 

Fonte: ISP-RJ, 2006-2011




















A produtividade do trabalho policial sofreu aumento de 2010 para 2011 (16,6%), de acordo com o ISP. O índice de armas apreendidas subiu 13,2%, o de prisões, 27,5%, apreensão de crianças e adolescentes 52,3% e o de cumprimento de mandado de prisão 35,8%. Por outro lado, a apreensão de drogas caiu 8,6%.

Fonte: ISP-RJ, 2006-2011
Em relação a agregação "Outros registros" destaques para ameaça que cresceu 7,2% de 2010 para 2011 e pessoas desaparecidas 9,0%. 

A tipificação "Auto de resistência", são classificadas como autos de resistência as mortes ocorridas em confronto com a polícia. Entretanto, é muito comum vermos inclusas nessa classificação mortes com claras características de execução, bem como mortes de indivíduos desarmados (e que, não poucas vezes, são “armados” pela própria polícia após a morte).
Fonte: ISP-RJ, 2006-2011

Os demais registros (roubos, furtos) dependem bastante da notificação das vítimas, ou seja, é necessário realizar o registro de ocorrência do delito na delegacia de polícia. O total de roubos caiu de 2010 para 2011(-19,8%) e cresceu a notificação de furtos 4,3%.
Fonte: ISP-RJ, 2006-2011
 Mais informações:

Com a instalação de 20 UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) na cidade do Rio de Janeiro (até abril de 2012), traficantes migraram para a região metropolitana e interior do Rio de Janeiro. Com base em dados do ISP (Instituto de Segurança Pública), órgão da Secretaria de Segurança Pública, e do Disque-Denúncia mostra que um reflexo desse movimento é o crescimento do número de prisões em todo o entorno da capital fluminense nos últimos anos.

Quando se trata da quantidade de informações recebidas pelo Disque-Denúncia, a migração dos criminosos fica ainda mais evidente. Enquanto na capital, as denúncias aumentaram 15% no período analisado, em São Gonçalo, por exemplo, o crescimento foi de 70%, passando de 1.660 para 2.831.


Bom gente, ta aí!  Prefiro adicionar minha opinião nos comentários. Abraços!


Referências:

Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro - http://www.isp.rj.gov.br/


Sobre o Autor:
Wilson Santos de Vasconcelos Wilson Santos de Vasconcelos é editor do Blog Tafulhar. Formado em sociologia pela UFF e mestre em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais pela ENCE/IBGE.

{ 2 comentários... read them below or Comment }

  1. estes resultados na area de segurança publica em sao gonçalo nos deixam muitas duvidas ate pelos numeros demostrados.

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    Respostas
    1. Oi Sr. Anônimo,

      Entendo o que quer dizer. Mas, se pensarmos um pouco. As estatísticas criminais nos mostram - é uma hipótese - que pode haver um fenômeno chamado "subnotificação".

      A Subnotificação é quando ocorre um delito e este não é notificado na delegacia de polícia, por exemplo.

      Um dos motivos da subnotificação é a sensação de insegurança. Ou seja, o crime vem aumentando, mas a população não vem notificando as autoridades de segurança pública com receio de retaliações.

      Abraços

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